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Medo e o dia em que cheguei atrasada!

Medo. Quem nunca passou por momentos em que essa palavra tão pequena nos fez sentir menor ainda? Para que serve esse sentimento que às vezes nos impede de viver o que realmente devemos viver? Vou compartilhar a primeira vez que enfrentei o medo de frente e qual foi o resultado disso. E como minha vida se transformou após esse dia.

Tudo começou no fim de 2014 quando descobri que existia algo chamado “Escola de Você”. Na época, a escola ainda era parceira da UNB. Infelizmente a primeira turma já estava fechada, então me inscrevi para a segunda sem ter ideia de que estava me inscrevendo para o começo de uma jornada na qual passaria por diversas transformações em todos os aspectos da minha vida, em especial na minha visão de mundo (quem sabe tenho a chance de contar sobre isso em outra oportunidade).

No fim de janeiro de 2015 comecei a fazer as aulas na plataforma (se você ainda não conhece, recomendo fortemente que visite o site https://www.escoladevoce.com.br/), naquela época já éramos 50 mil alunas. No fim de cada turma, as maravilhosas especialistas faziam um evento de 2 dias em SP, um presente dos deuses!
Em março de 2015, mês do evento em SP no qual eu havia confirmado presença um mês antes, minha vida estava mais ou menos assim: Minha mãe ia fazer um cirurgia e trabalhava em 2 escolas diferentes. Com o pouco tempo que lhe restava, sobrava pra mim correr com toda papelada burocrática que o plano de saúde dela pedia. Eu morava com meus avós e eles dependiam muito de mim, seja para ser a motorista que os levava a consultas ou mesmo para ser a socorrista em casos mais graves; meu avô me apelidou na época como

“a assessora de assuntos diversos”. Meu pai havia sido diagnosticado com um adenocarcinoma (um tipo de câncer bem punk) e eu o acompanhava nos exames, consultas e nos dias infinitos de quimio em uma cidade que ficava a exatos 174km da minha.

Semana do evento:
Segunda – Socorrer meu avô que fez um procedimento e não estava passando bem.
Terça – Fazer compras e tentar fazer meu pai comer (o câncer lhe causou uma anorexia e ele precisava estar bem para a quimio).
Quarta – Dia de burocracia para minha mãe, avô, avó… Levar meu pai para fazer exames.
Quinta – Pegar exames do meu pai, arrumar documentação para pegarmos o ônibus da prefeitura, comprar minha passagem para o evento em SP.
Sexta – Dia de quimio, sair de casa às 3h30 da manhã para chegarmos às 7h na outra cidade…voltaríamos até às 22h, dormiríamos e às 3h da manhã iria pegar meu ônibus para SP.
Como aguentar uma semana dessas? Mesmo com muito amor por todos eu sabia que precisava fazer coisas para mim. Aumentei minhas forças com a seguinte frase que virou meu mantra naquela semana: “fim de semana será só para mim”. Mas nem sempre as coisas acontecem como esperamos. Na volta do dia de quimio o ônibus estragou, me fazendo chegar na minha cidade às 3h30 da manhã. Foi muito ruim perder aquela ônibus, enquanto as lágrimas escorriam no meu rosto eu só conseguia pensar “essa era a única coisa que eu faria pra mim!”.
O próximo ônibus para SP sairia às 6h30 e eu chegaria só na hora do almoço, me fazendo perder metade do primeiro dia. A culpa e o medo só me faziam pensar nos inúmeros emails que recebi ao longo do mês com a frase “O trânsito em SP é imprevisível, se organize para não chegar atrasada”. Pelas próximas 2 horas eu tomei um banho e um copo de leite que minha mãe fez na tentativa de me animar, eu só pensava em como queria aquilo, mas que não poderia chegar depois do horário, o que as pessoas que eu admirava iriam pensar de mim? O que as outras escoletes pensariam de mim? Foi então que lembrei da maravilhosa Ana Fontes falando em uma das várias lives da escola sobre ter seu negócio e conquistar seus sonhos: “se deu medo, vai com medo mesmo…mas vai”.
Foi então que decidi superar meu medo e não desistir. Pela primeira vez na vida falei que eu iria e se desse medo e eu fosse condenada por chegar atrasada (esse era o sentimento) que seja, esse seria o preço que eu ia pagar pra participar de 1 dia e meio do curso.
Cheguei como previsto, próximo ao horário do almoço. Estava acontecendo uma dinâmica e uma escolete maravilhosa me recebeu e me disse “vamos esperar a dinâmica acabar e arrumamos um lugar para você sentar, ok?”. Enquanto esperávamos, ela para puxar assunto me perguntou o que havia acontecido para que eu chegasse naquele horário…Toda envergonhada e feliz de estar ali contei toda a saga, aos prantos (nós duas), ela me disse “Obrigada, eu sempre desisto de tudo e você acabou de me ajudar a superar isso”. Nesse momento a dinâmica acabou e ela me colocou sentada pra me recompor da viagem e da choradeira anterior.
Minutos depois a especialista Ana Paula Padrão fez uma pergunta na frente das quase 150 mulheres que estavam ali: “Quem aqui é a Raquel Guimarães Araújo Candela?”. Segundos depois caiu minha ficha, ela estava falando comigo. DALE CORAÇÃO!
Contei para todos como foi chegar até lá (não me perguntem como contei pois não consigo me lembrar) fui super bem recebida, me chamaram de cereja do bolo, fiz amizades lindas que levo até hoje e a experiência do curso se potencializou em 200% por conta do meu atraso.
Uso essa situação para me motivar a não deixar o medo do julgamento me parar. Tenho ido bem, obrigada desde então. Me pergunto, às vezes, o que teria acontecido se não tivesse ido! Mas logo esqueço, pois meu foco é em ser melhor e o medo não me para mais! Obrigada Escola de Você por isso =)
Agora falo para vocês, qual a sua desculpa quando o medo vem? E te digo… SE DEU MEDO, VAI COM MEDO MESMO!

Por Raquel Candela.
Mineira de criação e coração. Bacharel em administração, com especialização em desenvolvimento de pessoas e educação. Master Coach e analista de perfil comportamental DISC e fundadora da empresa Afine-se Company. Há 3 anos vivendo com propósito!