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Dia da Menina: Você tem mais uma razão pra ser feliz hoje

Hoje encontrei a Luana, vizinha de cima, com filhinho.  O menino estava animadíssimo com o brinquedo novo, presente de Dia das Crianças.   “Olha tia!  Aperta aqui ó…”  A Luana agora está grávida da Luiza, por isso, aproveitei para dar os parabéns também pelo 11 de outubro.  Ela me olhou com aquela cara de, “oi? Dia 11? Por quê?”

Todo mundo sabe que 12 de outubro é Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, Dia das Crianças, dia de folga.  Mas o fato da ONU (Organização das Nações Unidas) ter estabelecido 11 de outubro como Dia da Menina ainda é pouco conhecido. A data é relativamente nova, entrou no calendário global em 2012.  Pra quê? Por quê? Ótimas perguntas!

 

O dia internacional da menina

A ideia não é vender presentes.  Não há motivação comercial no 11 de outubro.  A intenção é que mais pessoas tomem consciência do que podem fazer pela igualdade de condições para nascidos com cromossomos XY e XX.  Vir ao mundo menina ainda representa grandes limitações para muitos milhões de bebês.  A lista do que é “coisa de menina” em algumas culturas não inclui nem direito à educação.

  • 60 milhões de meninas não tem o direito de ir à escola
  • Um bilhão de meninas não têm acesso à educação profissionalizante

(fonte: Malala Fund)

Meninas têm mais chance de sofrer violência dentro e fora de casa desde os primeiros anos de vida. Isso contribui para o aumento da pobreza no mundo inteiro. Embora a falta de acesso à educação e os abusos físicos ou sexuais sejam mais frequentes em alguns ambientes, as barbaridades acontecem em todas as classes sociais, todos os dias.  E mesmo quando não há violência ou intenção de tratar meninas de um jeito diferente, acontece.  O piloto automático do modo como fomos educados – azul ou rosa, herói ou princesa – simplesmente segue operando até que cada um tome consciência e decida fazer diferente.

Se você é uma Embaixadora da Escola de Você ou Escolete, já tinha essa consciência e pode estar se perguntando, “Como contribuo mais?”  Existe a possibilidade de se engajar com instituições dedicadas à proteção de meninas. Ser voluntária, doar seu tempo ou dinheiro é bem-vindo.  Mas não é o único caminho.  Cada um de nós, em seu dia a dia, pode fazer a diferença.

Fazendo um parênteses, se seu propósito de vida é ajudar as pessoas e tiver interesse em se tornar uma Embaixadora da Escola de Você, faça seu cadastro para o processo seletivo clicando aqui.

Gosto do trecho abaixo do TED de Reshma Saujani e penso que nos ajuda a entender como ajudar:

 “Meninas são ensinadas a optar pelo seguro, tirar boas notas, ter um sorriso bonito. Meninos, por outro lado, são ensinados a serem agressivos, apostar alto, subir até o topo e então se jogar com tudo. E, quando se tornam adultos, ao negociar um aumento ou até mesmo chamar alguém para sair, estão habituados a assumir riscos. São recompensados ​​por isso. Muitas vezes é dito no Vale do Silício que alguém só é levado a sério após ter duas “start-ups” fracassadas. Em outras palavras, estamos criando meninas para serem perfeitas, e meninos para serem corajosos.  Nossa economia e sociedade estão perdendo por não criarmos as meninas para serem corajosas.

Assista ao episódio completo do TED aqui.

 

O que podemos fazer pelas meninas?

O que um adulto diz a uma criança é poderoso.  Você certamente lembra de algo da sua infância que, provavelmente, não significou nada para o adulto.  Mas para sua autoimagem fez enorme diferença – para o bem ou para o mal.  Ao encontrar modos de ensinar nossas meninas a serem corajosas, errarem e aprendem com cada tropeço, dizerem o que sentem e pensam, estamos construindo um mundo melhor.

Então, fica a sugestão de tirar do vocabulários expressões que limitam a natureza curiosa e aventureira de toda criança.  Fica o pedido para que estejamos mais atentas a quem elas são e o que precisam de nós naquele momento.  Ah, tem um hábito que eu adoro. Quando encontro uma menina, por mais linda que ela seja, puxo papo até encontrar atributos a elogiar além da beleza e simpatia.  Ela é inteligente? Criativa? Comunicativa? Artística? Experimenta.  Pode ser que você dê a sorte de ver um rostinho se iluminar diante dos seus olhos. E vai sentir o quanto interesse genuíno e a verdade fazem bem pros dois lados.

A gente se vê na Escola!

Natália Leite é Mestre em Ciência da Informação.  Co-fundadora da Escola de Você – plataforma de cursos online para mulheres –  e apresentadora do programa Superpoderosas na Band.  Ama pedalar e brincar com seus cachorros.